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Número de negros mortos pela polícia no Piauí ultrapassa 90%, diz Observatório

 


Nesta terça-feira (14.12), o portal Rede de Observatórios da Segurança divulgou boletim no qual aponta que uma pessoa negra é morta pela polícia a cada quatro horas no Brasil. 

Segundo o estudo, 91% das vítimas da violência letal da polícia no estado do Piauí são negras. Nessa mesma direção, a capital Teresina ocupa o terceiro lugar das capitais monitoradas, com 94% de letalidade da população negra por atividade policial. 

Esse número expressa uma realidade preocupante. Destaca-se ainda que 73% da população declararam-se negros no Piauí. Tais dados reunidos configuram um genocídio negro em curso.

A publicação relembrou a perseguição policial que terminou com a morte de um comerciante no último 28 de setembro deste ano, na Grande Santa Maria da Codipi, zona Norte. "Cândido Constâncio de Sousa Filho, de 41 anos, negro, trabalhava em um pequeno comércio local e teve a vida ceifada pela ação desastrosa de alguns policiais militares em serviço. O fato repercutiu em todos os meios de comunicação, mas essa é uma história que se repete e que infelizmente vem se tornando cada vez mais comum. Os atingidos são, em sua maioria, pessoas negras", mostra a pesquisa.




A cada 3 pessoas brancas mortas pela Polícia, 30 negros são assassinados


Para o Observatório, a crescente violência na capital e em outras cidades piauienses é consequência de múltiplos fatores, que vão desde a presente desigualdade sociocultural à inócua atuação do Estado no enfrentamento dessas questões com a implementação de políticas públicas, em especial, para as juventudes, e falta de investimento nos sistemas de segurança pública e qualificação aos policiais militares.

"Outro fator que não se pode deixar de mencionar é que a vertiginosa violência se apresenta como fruto de uma política de segurança pública extremamente equivocada, que, além de não perceber as manifestações do racismo estrutural, ganha contorno na filtragem policial, direcionando as ações policiais para um público específico de “pele-alvo”. Soma-se a isso a ausência de estratégias no Plano Estadual de Segurança Pública", aponta o relatório.

Omitir-se e/ou ignorar ações voltadas para o enfrentamento da violência de Estado contra pessoas negras contribui significativamente na atuação das forças de segurança e impacta diretamente na configuração desse quadro de letalidade. Por outro lado, parece haver pouca atuação dos órgãos de controle externo como a Defensoria Pública e o Ministério Público, dentre outros, em relação ao quadro da letalidade que extermina a população negra.

Pele alvo: a cor da violência policial

Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação em seis dos sete estados monitorados pela Rede: Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. O governo do  Maranhão não acompanha a cor das vítimas da violência, o que seria uma forma de racismo institucional.

Os dados obtidos são do ano de 2020 e mostram que mesmo em um contexto de crise sanitária mundial o racismo não dá trégua e, pelo contrário, mata ainda mais, tanto por vírus como por tiro. Foram 2.653 mortes provocadas pela polícia com informação racial nos seis estados da Rede e 82,7% delas são pessoas negras. Essa é a segunda vez que a Rede de Observatórios analisa os números das secretarias de segurança dos estados que monitora, a primeira edição da pesquisa aconteceu no ano passado.

Pela primeira vez, a Rede de Observatórios apresenta também os números das capitais. Surpreendentemente todos os mortos pela polícia em Recife, Fortaleza e Salvador eram pessoas negras. Teresina e Rio de Janeiro chegaram perto dessa marca, registrando respectivamente 94% e 90% de negros mortos pelas polícias, respectivamente.

Sobre a Rede de Observatórios

Após dois anos operando na produção cidadã de dados em cinco estados, a Rede de Observatórios,  projeto do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), com apoio da Fundação Ford, chegou ao Maranhão e ao Piauí no segundo semestre deste ano. A Rede de Estudos Periféricos, da UFMA e IFMA, e o Núcleo de Pesquisas sobre Crianças, Adolescentes e Jovens, da UFPI se unem a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD); Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop); Laboratório de Estudos da Violência (LEV/UFC) e ao Núcleo de Estudos da Violência (NEV/USP). O objetivo é monitorar e difundir informações sobre segurança pública, violência e direitos humanos.

Clique aqui e confira o estudo na íntegra.

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