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Professor é afastado após dizer que mulheres tem culpa por 90% dos feminicídios

 


Um professor de biologia de uma escola particular de Teresina foi afastado após ter um vídeo viralizado nas redes sociais. O caso aconteceu na última quarta-feira (25). Nas imagens o docente diz que "90% dos casos de feminicídio, a mulher tem culpa", durante aula que foi gravada na manhã de ontem.

“Por que? Caramba, quando vocês estiverem namorando, observe o parceiro, observe a parceira que estão namorando, pelo menos um namoro de um mês, dois meses. ‘Ah professor, mas ninguém conhece o ser humano’, dá para conhecer um pouquinho”, falou.

Após o viral, a diretoria do colégio foi a público e divulgou nota de esclarecimento sobre a situação e também informou o "imediato afastamento" do professor.

"No curso dos seus 25 anos de relevantes serviços prestados à sociedade piauiense, o Colégio CPI tem pautado suas ações no sentido de proporcionar educação inovadora, ensino de qualidade,  grandes resultados,  formando cidadãos éticos que possam contribuir para construção de uma sociedade justa e igualitária, para que todos tenham seus direitos e deveres reconhecidos e respeitados" publicou o colégio juntamente com a nota a seguir.


Nota 

Nesta quarta-feira (25), formos surpreendidos por comentário feito por um colaborador em sala de aula, declarando que "boa parte do percentual de feminicídios ocorre devido ao comportamento feminino".

Por não concordar de forma alguma com este ponto de vista e repudiar completamente este tipo de conduta, que depõe frontalmente contra nossos valores éticos e profissionais, a Direção da Escola vem a público comunicar que, diante do fato, procedeu com o imediato afastamento do colaborador do seu quadro de funcionários.

Ao tempo em que pedimos desculpas ao nosso público, reiteramos o nosso compromisso de continuar disponibilizando uma educação de qualidade, de resultados e comprometida com os valores morais.

Direção do Colégio CPI



FEMINICÍDIO

O feminicídio é o assassinato de mulheres por causa do gênero. No Brasil, o feminicídio se transformou em crime a partir da Lei 13.104 de 09 de março de 2015 (BRASIL, 2015), que insere mais de uma modalidade de homicídio qualificado ao Artigo 121 do Código Penal, tendo se situado na modalidade de crime hediondo através da alteração do Artigo 1º da Lei 8.072/90 de Crimes Hediondos, segundo as pesquisadoras Mariana de Carvalho Sousa e Maria Clara Teresa Fernandes Silveira.

Em artigo apresentado em outubro de 2020, elas contam que "no Brasil, segundo o Atlas da Violência 2019, houve o crescimento de 30,7% no número de homicídios de mulheres entre 2007 e 2017, totalizando 4,7 por grupo de 100 mil mulheres (IPEA, 2019, p. 35). No mesmo período, houve um aumento na taxa nacional de homicídios de mulheres em 20,7%. Enquanto em 2017 foram registrados 1.075 feminicídios, no ano de 2018 foram contabilizados 1.206, mostrando um aumento de 10,86% entre os anos apurados segundo o anuário do Fórum de Segurança Pública. Faz-se necessário destacar que pode haver uma deficiência nos dados devido, principalmente, a três fatores: 1) subnotificação e 2) contemporaneidade da lei", aponta.


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