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Dois dias após crime, OAB Piauí suspende registro de advogado acusado de estupro

 

O Presidente da OAB Piauí, Celso Barros Coelho Neto, suspendeu, preventivamente, o exercício profissional do Advogado Jefferson Moura Costa, por 90 dias, preso em flagrante na quarta-feira (14), após ter sido denunciado por estupro, crime hediondo e inafiançável. A decisão será submetida à análise do Conselho Pleno da Seccional e do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), mas já é aplicável imediatamente a partir desta sexta-feira (16).


“A OAB Piauí repudia veementemente a conduta praticada pelo Advogado Jefferson Moura Costa e, por isto, dada a urgência do caso, estou suspendendo a sua atividade profissional por 90 dias, preventivamente, e requisitando informações às autoridades policiais e judiciárias, diante de várias denúncias que estamos recebendo dos crimes praticados por esse Advogado”, explica.

Celso Barros destaca ainda que a Seccional não admitirá qualquer tipo de conduta criminosa contra os direitos das mulheres. “Ainda mais nesses casos específicos que são gravíssimos, não podemos admitir e temos que agir imediatamente, por isso, tomamos essa medida”, garantiu.

Além disso, o TED da instituição já está apurando as condutas do Advogado, porém os processos do Tribunal são sigilosos, não podendo ser dadas mais informações sobre os andamentos.


O CRIME

O suspeito levou a vítima até sua residência e, segundo a palavra da vítima, no caminho até o local da tarefa, aquele falava sozinho e sorria alto, dizendo "suas vagabundas, vocês vão ver...", causando pânico na vítima. 

Ao chegarem no prédio, o suposto agressor teria "dado uma virada no porteiro" - a vítima acredita que Jefferson fez isso para que aquele não a visse. No apartamento, ele trancou a porta e ela foi para um dos quartos, espantando-se quando viu a quantidade de camisinhas (novas e usadas) espalhadas e vários lubrificantes. A vítima passou a estranhar a ausência de roupas ou objetos femininos, suspeitando que ele havia mentido sobre ter uma esposa e "sentiu" naquele momento que seria estuprada. Logo após, ela viu o pênis dele ereto dentro do short e que ele estava massageando o órgão genital. 

Quando a senhora S.B.S. foi para um dos quartos, ele a surpreendeu, agarrando-a pelo seu pescoço e passando a mão nos seus seios. Ele teria tirado a roupa da vítima e colocado o pênis na sua vagina, usando camisinha.  

Ela pedia que ele parasse e não a matasse, mas ele continuava com o ato forçado, dizendo coisas sem nexo, como: "Essas vagabundas tem é que morrer mesmo" e "Vagabunda merece é isso mesmo, tu e as outras vagabundas!." O suposto infrator a jogou num colchão e ficou lhe dando ordens, mandando que a vítima pulasse em cima de seu pênis ("Pula Vagabunda! Pula e goza!"). Ela falou que não conseguia, enquanto chorava, instante em que ele começou a esfregar os dedos na sua vagina, dizendo que se ele quisesse a matar, ele daria um tiro em sua cara.


Depois disso, ele voltou para o sofá e continuou lendo um livro (sobre sexo). Enquanto isso, ela olhava pelas janelas, procurando meios de fugir e, ao mesmo tempo, continuava a faxina para disfarçar. Quando o suspeito viu a vítima pegando uma faca, perguntou-lhe agressivamente o que ela queria mexendo ali. Posteriormente, ela pulou da janela. 

Ao chegar num prédio próximo, contou a um porteiro que havia sido estuprada, o qual não acreditou nas palavras da vítima, mas um senhor ordenou ao porteiro que abrisse para ela entrar e se proteger, acionando a polícia em seguida. Uma moradora deste prédio afirmou que viu quando o carro do suspeito passou duas vezes na frente do local, procurando por S.B.S., e que anotou a placa do carro, repassando depois aos policiais. Ainda desponta da narrativa que o suposto agressor também dizia "Agora vai terminar teu serviço vagabunda, que daqui a pouco é a vez de outra". A equipe policial chegou ao local e deparou-se com Jefferson voltando no carro com outra mulher.

Histórico Criminal

A ficha criminal do advogado é extensa, em abril de 2010, ele matou com um tiro no abdômen (e assumiu) o cabo do Exército Arione Moura Lima, que tinha 23 anos à época. O crime aconteceu em Picos, município situado 306 quilômetros ao Sul de Teresina.

Em março de 2011, o advogado foi internado em estado grave após causar um acidente que matou três pessoas na BR-110, proximidades de Cícero Dantas, a 302 quilômetros de Salvador, na Bahia. No acidente, ele colidiu com uma ambulância de Canudos (BA).  

Em 2012, quando estava em liberdade provisória, o advogado voltou a ser preso por assediar uma mulher e forçar um beijo em um restaurante da capital. Levado para a delegacia, ele provocou a delegada de plantão à época proferindo palavras de baixo calão contra a DPC.

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