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Relembre o caso Chiê, que matou cinco pessoas no Piauí, semelhante ao de Lázaro em Brasília

 

Foto - Daniel Cunha/G1

Povoado Palmeiras de Cima, São Miguel do Tapuio, município distante 227 quilômetros de Teresina. Tarde de 30 de outubro de 2014. Após uma discussão, Clewilson Vieira Matias matou a esposa Maria Moreira, que era agente de saúde, com cerca de cinco disparos de arma de fogo. À polícia ele afirmou que cometeu o feminicídio motivado por ciúmes e traição. Porém, segundo o delegado da Polícia Civil, Laércio Evangelista, Chiê teria dito à esposa que iria matar algumas pessoas. Ela teria tentado impedir, então ele a matou.


Na sequência matou mais quatro pessoas, entre as quais Roberto Brito Bastos, professor de Informática; Sidney Tavares da Silva, jovem de 14 anos; seu avô, o líder comunitário Juvêncio dos Reis da Silva e o comerciante Cláudio Barros de Oliveira, supostamente morto por engano, uma vez que o verdadeiro alvo era seu irmão. À polícia, o homicida revelou que sofria perseguição e que estas pessoas agiam para que Chiê fosse mandado embora da cidade, o que ele não queria, pois vivera 35 anos de sua vida em São Miguel do Tapuio.

A Polícia apurou que Chiê era traficante e usuário de drogas, tinha armas em casa, causava confusões e possuía envolvimentos em outros crimes como roubos, motivos pelos quais os munícipes pediam às autoridades que ele fosse expulso, chegando a mover um abaixo-assinado com essa finalidade.

Tropas policiais com apoio de helicóptero do GTAP na busca ao criminoso

Após cometer a chacina, o assassino fugiu para as matas seca da região usando uma motocicleta. Inicialmente foram destacados 40 policiais, entre militares e civis, um helicóptero do GTAP e apoio da Polícia especializada do Ceará monitorando as divisas com aquele Estado para as buscas ao criminoso. A perseguição durou sete dias, o que também é semelhante ao caso de Lázaro, para o qual 200 policiais estão em operação à sua procura numa busca que já passa de cinco dias.

Nascido e criado nas redondezas, tal qual Lázaro entre Brasília e Goiás, Chiê conhecia muito bem os caminhos, estradas e locais onde era possível se esconder e driblar o cerco policial. Ele também recebeu apoio de duas pessoas envolvidas com o tráfico de drogas na região. Elas levavam mantimentos ao foragido. Aos policiais, o homicida revelou que dormia durante o dia e se locomovia durante a noite. Alimentava-se com alimentos como manga.

Com o passar dos dias, São Miguel do Tapuio estava apavorada com medo de que Clewilson retornasse para tentar mais pessoas a quem ele acusava de perseguição. Bares e comércios passaram a fechar mais cedo e o movimento de populares nas ruas diminuiu nos dias seguintes. As portas e janelas das casas estavam sempre fechadas e à imprensa a população relatou não conseguir dormir direito enquanto o homem não fosse preso.

Uma das vítimas assassinadas no meio do rua. Foto - Ellyo Teixeira/G1

A Polícia descobriu que o bandido guardava suas armas dentro de um buraco muito bem camuflado embaixo da cama. Ele portava uma pistola .40, um revólver calibre 38 e uma arma longa. Mais tarde, já preso, Chiê confessaria que previa matar pelo menos oito pessoas, mas que não as encontrou, por isso não praticou mais crimes.

Passados os sete dias, ele foi localizado, preso e encaminhado à delegacia de São Miguel do Tapuio sob aplausos da população. Na sequência foi levado para a Casa de Custódia em Teresina e em junho de 2018, quatro anos após a chacina, foi condenado a 112 anos de prisão pelo Tribunal Popular do Júri, que teve a frente o juiz Leonardo Brasileiro.

Durante o julgamento, a defesa do acusado chegou a solicitar exame de sanidade mental para que, caso fosse provado problemas mentais, a prisão fosse convertida em pena a ser cumprida em alguma clínica de tratamento, porém, o laudo apontou que Clewilson tinha plenas condições de decidir sobre seus atos quando cometeu a chacina.

Buraco onde Chiê escondia suas armas - G1

Clique AQUI e veja relatos temerosos da população durante os dias de busca pelo assassino em São Miguel do Tapuio no Piauí.

Fontes Consultadas:

Portal Meio Norte

Portal Cidade Verde

G1 Piauí

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