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Detentos são aprovados em 2º e 3º lugar na UFPI e UESPI

 

Thanandro Fabrício/Sejus

A educação tem transformado a realidade de muitos reeducandos do sistema penitenciário do Piauí. No Enem PPL 2020, dos 475 internos que realizaram a prova, 184 obtiveram médias necessárias para disputar vagas nas instituições públicas e privadas. Deste número, 5 conseguiram a aprovação.

Felipe Costa, reeducando da Penitenciária Professor José de Ribamar Leite, foi um dos internos que conseguiram vaga em uma universidade pública. Aprovado em 2º lugar no curso de licenciatura em letras português, na Uespi, ele conta que a aprovação foi um incentivo para ir atrás do curso que almeja.

“Eu fico muito feliz em ser aprovado, mas o curso que eu quero mesmo para a minha vida é Engenharia Mecânica. Na outra oportunidade que eu tiver, pretendo me preparar para ser aprovado no curso. Minha família ficou muito feliz e, apesar de estar no sistema penitenciário, uma aprovação como essa dá muita alegria para a família e é um incentivo maior para mim. O caminho certo é a educação e eu pretendo continuar seguindo por esse caminho, buscando algo melhor para o futuro”, completa.

Igor Araújo, também reeducando da antiga Casa de Custódia de Teresina, alcançou o 3° lugar no curso de Engenharia Agrônoma na UFPI. Para ele, o maior desafio foi a preparação para a prova. “A preparação para o ENEM PPL dentro do sistema penitenciário é muito difícil. Entretanto, mesmo com todas as dificuldades, ainda conseguimos estudar e fazer uma boa prova. Graças a Deus, tive esse êxito. Meu sentimento foi de felicidade pela aprovação e mais feliz ainda pela minha colocação. Eu acredito que o ensino é a melhor forma de ressocialização de um detento”, disse.

A prova do Enem PPL possui um grau de dificuldade semelhante ao do Enem Regular. A coordenadora de ensino prisional da Sejus, Jussyara Valente, ressalta que, mesmo com todas dificuldades causadas pela pandemia, o número de aprovações foi um resultado positivo.

“O Exame é uma ótima oportunidade para os internos se inserirem no ensino superior. Hoje, observamos que houve um aumento do interesse das pessoas privadas de liberdade em participar de programas relacionados à educação, não só pela remição de pena, mas também para conquistar um futuro melhor aqui fora. Eu avalio como um resultado positivo. Em meio a tantos problemas, seguimos avançando”, finaliza.

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