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Morre o sexto detento da Cadeia de Altos nesta quinta-feira (28); 6 mortes em 13 dias



O apenado identificado como Adriano Adabio Paz da Silva, de 20 anos, é o sexto detento da Cadeia Pública de Altos (CPA) a morrer no Piauí desde que um surto infeccioso de origem nunca divulgada oficialmente pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) atingiu cerca de 48 internos da unidade prisional no último dia 7 de maio. No dia 15, porém, veio o primeiro óbito. 13 dias depois já são seis mortes.

NOTA - Hospital de Urgência de Teresina

O paciente A.A.P.S., de 20 anos, veio a óbito às 13h30, no Hospital de Urgência de Teresina.

Por orientação do setor jurídico, o HUT não informa estado de saúde de pacientes.


Adriano quando estava internado

De acordo com a assessoria de comunicação da Sejus, Adriano havia ganhado o direito à liberdade no início do mês, deixando de ser um custodiado da CPA. Entretanto, ele deixou o presídio contaminado, pois dia 6 de maio ele foi transferido da UPA Satélite para o HUT com uma piora em seu estado de saúde.

Vídeo enviado ao #RepórterPonto50 mostra uma cena triste em que o rapaz não consegue ficar de pé e abraçado por sua avó no dia em que ele foi solto. Até sem chinelas ele estava ao deixar a CPA.

Veja a seguir.


Entenda o caso

No último dia 7 de maio, a Secretaria de Estado da Justiça (SEJUS) emitiu nota esclarecendo que 48 apenados da CPA apresentaram sintomas de infecção e que sete deles haviam sido encaminhados a hospitais de Teresina. Hoje, 27 de maio, são 39 o número de presos internados. Ou seja, 41 detentos pioraram em 20 dias.

Cinco morreram em menos de duas semanas. São eles Isaac Gomes de Oliveira, de 23 anos; Robert Ozeas da Silva Pereira, Jefferson Linhares Silva, Martoniel Costa Oliveira, de 21 anos e Francisco Wellington Moraes Santos.



Uma reunião por videoconferência no último 11 de maio entre representantes do Ministério Público (MP-PI), da Sejus e da Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) resultou na divulgação de laudo técnico preliminar apontando possível infecção na CPA por consumo de água com urina, fezes de rato e coliformes fecais.



O obituário de Isaac, penúltimo preso a morrer, aponta que ele faleceu por leptospirose. A informação foi divulgada pelo HGV. Entretanto, além da suspeita de a infecção ter evoluído para leptospirose, avaliações médicas também sugerem em alguns casos a síndrome de Guillain Barré, que se desenvolve quando o sistema imunológico do próprio corpo ataca parte de seu sistema nervoso. A enfermidade, geralmente, é provocada por processos infecciosos anteriores como Hepatite A, B e C, Zika, Dengue, Sarampo, Citomegalovírus, outros.

Entre os principais sintomas da doença é a fraqueza muscular que começa pelas pernas, podendo avançar pelo tronco, braços e face. A síndrome pode também reduzir ou eliminar os reflexos. Faz mais sentido ainda as suspeitas médicas, uma vez que como foi divulgado em reportagens anteriores sobre o caso, oito presos chegaram em cadeiras de roda à Unidade de Pronto Atendimento do bairro Satélite, zona Leste de Teresina, na noite da última quarta-feira (20) como mostra o vídeo a seguir.



Diretor da CPA é afastado após mortes e protestos

Durante a audiência, o secretário de Justiça Carlos Edilson “informou que suspendeu o recebimento de novos presos na Cadeia Pública de Altos depois desses episódios, no qual detentos apresentaram problemas de infecção”.



Além disso, o RepórterPonto50 apurou que o diretor Antônio Vinícius Rodrigues da Silva foi afastado do cargo. Em seu lugar está o diretor interino Enemesio Lima. Vinícius foi afastado após as cinco mortes e pelo menos três protestos realizados por familiares dos presos. O último ocorreu na segunda-feira (25) em frente ao Tribunal de Justiça (TJ-PI) de Teresina.

 

Os parentes contam que não estão sendo informados do quadro de saúde dos detentos, que quando são levados a hospitais a informação também não é repassada e que estão proibidos de levar produtos complementares para alimentação e higiene dos internos.

CPA

A Cadeia Pública de Altos Antônio José de Sousa Filho foi inaugurada em setembro de 2019. Em menos de um ano está envolta em diversas denúncias, o surto de infecção é o mais recente. É considerada a estrutura prisional mais moderna do Piauí e a maior, sendo composta por três pavilhões, salas de aula, biblioteca, laboratório de informática, consultórios médicos, alas para dependentes químicos, módulos de trabalho, a unidade, também, é a mais moderna do sistema prisional estadual.

Possui capacidade para 603 presos, mas abriga 720 homens privados de liberdade, ou seja, 113 além do que sua estrutura permite. No período chuvoso, entre dezembro e março, imagens mostraram a água da chuva invadindo tanto as celas dos detentos como da administração da unidade.


Colado ao muro da CPA há um grotão a céu aberto. Há suspeitas de que a cortina de vento possa ter levado as bactérias para o sistema hídrico do presídio e para a área da cozinha.



Esse é o terceiro presídio inaugurado no Piauí, desde 2015, quando foram inauguradas a Casa de Detenção Provisória de Altos e a Penitenciária Regional de Campo Maior. Com a Cadeia Pública, foram abertas aproximadamente 1.000 vagas.






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