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Conheça Carlos - pescador salvou uma mulher que se jogou da Ponte da Primavera em Teresina


Teresina, Piauí, tarde de terça-feira, 26 de maio. 

Como de costume, o pescador Carlos Augusto, de 48 anos, chegou ao rio Poty pela Avenida Marechal Castelo Branco, altura do bairro Primavera, zona Leste, às 15h.

Pegou a canoa furada, montou suas armadilhas e, como de costume, já se ia embora para retornar apenas às 5h da manhã do dia seguinte e ver se havia pescado alguma coisa, mas naquela tarde algo diferente o prendeu ao rio.

“Eu vou sozinho [pescar], cheguei por volta das 15h, aí botei minhas armadilhas, eu boto e venho embora, mas parece que uma coisa me segurou, porque naquele dia eu fiquei por ali tampando os buracos da canoa, fiquei por ali enrolando, acho que alguma coisa me avisou pra eu não sair naquele instante, pensar que não, o povo começa a gritar: a mulher pulou, pulou, daí eu saí correndo, remando, minha canoa tava furada, mas eu cheguei perto dela”, relembra.

Com muita dificuldade, por conta da canoa vazada, Carlos conseguiu se aproximar da mulher que naquela tarde saiu do trabalho, parou o carro na Ponte da Primavera, decidiu se atirar.

“E flutuou no ar como se fosse sábado

Se a atitude foi premeditada ou não, o universo tinha um plano maior para ela. Tivesse seguido seu costume, por volta das 17h, quando a mulher se jogou, Carlos já estaria em casa após preparar suas armadilhas no rio. Mas aquele dia foi diferente.

Segundo o pescador, a mulher caiu cerca de 20 metros distantes da beira do rio. Quando sua canoa chegou perto, ela já estava com os braços para cima a ponto de afundar, foi quando Carlos a segurou e a colocou dentro da embarcação.

“Ela já tava com o braço pra cima dando o último suspiro, foi aí que eu peguei ela, eu já tava no porto onde tranco minha canoa, ia descendo pra trancar, do lado da universidade, quando começaram a gritar lá de cima. Aí eu tirei de dentro da água, botei na canoa e ela ficou desacordada por alguns segundos, ela ficou deitada, desceram alguns populares da ponte e ela começou a tossir, aí um rapaz chegou e levantou a cabeça. Passou uns dez minutos até que ela voltou a si, aí cuspiu sangue ainda”, relata.


“E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”

De acordo com Carlos, a mulher se chama N. (nome em sigilo para preservá-la). Após se estabilizar, ela contou que trabalha em uma agência bancária da capital, na qual o Gerente por duas vezes chamou sua atenção por ter cometido algum erro no serviço.

“Um rapaz perguntou porque ela tinha feito aquilo, ela falou... Aí nós colocamos ela em cima da ribanceira, chamaram o bombeiro, ela me agradeceu e eu fui embora”, conta.

O Pescador

Carlos fez sua pesca do dia, diferente da que ele imaginou que faria quando saiu de casa àquela tarde. Ele é pescador “desde que nasci”. Nasceu e se criou, como tantos, às margens do rio Poty e fez da pesca sua atividade profissional, como seu pai e seu avô, “todos de Teresina, a família toda de pescador”.

Ao #RepórterPonto50 ele contou na manhã deste sábado (30) que este período de pandemia do novo coronavírus “tá fraco, o peixe tá fraco, fraco pela pandemia, tá devagar”. Ou seja, além de não ser a melhor época para a pesca, a pandemia também afetou as vendas dos poucos peixes que o rio lhe dá. O auxílio emergencial, benefício do Governo Federal, tem ajudado na renda em casa, diante da dificuldade.

“O melhor período [para pescar] é quando a água suja, suja que eu falo é de tá barrenta que é no mês de dezembro e janeiro... dá pra gente ir sobrevivendo, mas chega esse tempo, começa a enfraquecer”, explica.

Conformado com a sina de pescador e com muita humildade ele deixa um recado aos teresinenses que estejam passando por dificuldades ou sofrendo qualquer tipo de pressão.

“Tem que ter fé em deus, firmar a cabeça, não pensar em besteira, amar a deus primeiramente”, finaliza.

Doação

Caso você, Leitor(a), queira fazer alguma doação para o Carlos Augusto, entre em contato através do número: (86) 99515-3799.

Valorização da Vida

Levantamento realizado entre 2010 e 2017 no Brasil aponta que a média brasileira é de 5, 6 por suicídio a cada grupo de 100 mil habitantes. As informações são do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Entretanto, esse número é maior no Piauí, chega a ser quase o dobro com média de 10 mortes por grupo de 100 mil habitantes. Os dados levam em conta os obituários. Atitudes extremas são motivadas por diversos motivos, porém, é possível evitar 90% dos casos, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria.

O CVV – Centro deValorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias, basta ligar para o número 188.

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